Uma primeira loja experiência de artesanato contemporâneo do Brasil

Galeazzo Design

O Galeazzo Design desenvolveu para o Shopping Morumbi o ‘Espaço Colletivo + Casa Manual’, espaço de convivência de 1.800m² que explora elementos da cultura brasileira com arquitetura lúdica. Para o designer Fabio Galeazzo, idealizador do projeto, os ambientes de experiência são o futuro da arquitetura e do design.

Fabio é mestre em Criatividade e Inovação pela Universidade Fernando Pessoa, em Portugal, e diretor criativo do estúdio Galeazzo Design, que nos últimos quatro anos tem se dedicado a pesquisas sobre a interface pessoa/ambiente.

Após 15 anos de carreira, Fabio resolveu dedicar parte do seu tempo aos estudos, levando sua bagagem prática à academia. “No dia a dia com os clientes, pude observar hábitos e comportamentos que me chamaram a atenção e despertaram meu interesse em pesquisar e estudar questões que envolvem o desejo estético. O mestrado foi um período riquíssimo de aprendizado onde pude descobrir o design como ferramenta criativa aplicada à arquitetura. Foram descobertas tão intensas que mudaram minha maneira de pensar”, conta.

Fabio acredita que o design é uma das disciplinas do múltiplo saber, e para adentrar ao mundo das experiências se faz necessário uma visão holística e colaborativa. “O projeto Espaço Colletivo – Casa Manual foi um dos primeiros projetos em que utilizamos na prática a pesquisa sobre como os ambientes podem interagir com seus frequentadores, e como essas pessoas podem adotar o espaço como parte de si e do próprio processo criativo. Para nós, essa é a brincadeira: quem entra lá adota o espaço, vive uma experiência e se sente parte do local”, explica Fabio.

Conceito – O projeto foi norteado pelo desafio de trazer a vertente do Mercado Manual, com sua tradição de cultura de rua e valorização do produto artesanal contemporâneo, para dentro do Morumbi Shopping. Para conectar essas duas modalidades, o designer Fabio Galeazzo, o arquiteto André Nuccie e a surface designer Dani Gautio, parceiros de escritório, pesquisaram elementos que trouxessem pontos de conexão entre essas duas culturas – aparentemente distantes – criando um espaço onde a equipe da Manual pudesse propor novas experiências, convivências e trocas de saberes norteados pela cultura do ‘feita à mão’.

“Nossa ideia foi fazer um projeto cultural que trata de uma comunicação entre a cabeça e as mãos, entremeadas e alinhavadas pelas emoções. Ou seja, o coração orquestrando um ritmo criativo entre o pensar e o fazer, um movimento espiralado que surge a partir de um pulsar individual de cada um, presente no homem desde sua origem ”, enfatiza Fabio.

Inspiração – Ao pesquisar os movimentos primitivos, Fabio encontrou uma imagem aérea de uma dança indígena brasileira em movimento espiralado. Inspirado neste conceito criou um grande expositor construído em compensado e suportado por mais de 700 pés de bambu, coroado por 10 pétalas gigantescas sobrepostos entre si que representam um filtro dos sonhos.

O local flutua em meio aos espaços, convidando que cada um crie sua história particular a partir da interação com o ambiente. Neste conjunto está localizada a área de comercialização onde estão disponíveis produtos dos mais diversos artesãos, escolhidos e selecionados a partir da curadoria da equipe Manual.

Nesta imponente estrutura, os visitantes podem encontrar roupas, acessórios, produtos para a casa, brinquedos, cosméticos, entre outras opções de produtos, O local convida todos a participarem de uma grande dança em torno da cultura do fazer, onde artesãos e frequentadores são parte de uma só família, a do ritual do criar.

No entorno do projeto foram distribuídas áreas com múltiplas funções que conversam entre si batizadas de ocas. São elas as ocas do fazer (espaço para as oficinas), do nutrir (restaurante e empório), do cantar (palco e arquibancada), do descansar e do trabalhar (área de longe com mesas e mobiliários diversos) e do brincar (espaço dedicado as crianças desenvolvido em parceria com o Erê lab). Cada oca pretende contar uma história que conecte emocionalmente o visitante de forma lúdica, tendo como referências o mundo ao ar livre.

Arquitetura e Design – Localizado no piso térreo do Morumbi Shopping, o espaço chama a atenção por suas estruturas aparentes que deixam a mostra as imperfeições das paredes e a infraestrutura de hidráulica e elétrica. Para reduzir os limites entre a área interna e externa, antigas paredes foram substituídas por estruturas em vidro, trazendo os movimentos e as luzes do dia e da noite para dentro do ambiente.

Para quem vem da rua também é possível acessar os espaços por meio de portas que dão acesso a área externa. Já o visitante que chega do shopping é recebido por uma parede de bambu com aproximadamente 12×4 metros, nela ocorrem exposições temáticas com conceito manual.

Nas paredes com superfície irregular foram aplicados tintas em tons pasteis e detalhes com cores quentes. A ideia é que o espaço esteja sempre em transformação e que pouco a pouco essas paredes sejam preenchidos por murais de artistas. Já no restaurante, foram instalados azulejos com estampas que remetem a “chita,” típico tecido brasileiro.

Na área de estar e trabalhar há duas grandes esculturas que remetem a árvores com fios elétricos envoltos em tecido e lâmpadas pendentes. Estão dispostas nas áreas das oficinas duas grandes mesas divididas por uma área de lavagem feitas com bacias de alumínio, em que profissionais ensinam técnicas manuais. Atrás dessa área há um grande painel pintado a mão pela artista Juliana Vomero.

Contato:
Galeazzo Design
11 2893-0701
http://www.fabiogaleazzo.com.br/pt/